O governo chinês está avaliando um conjunto de restrições que poderia limitar o acesso de usuários estrangeiros aos modelos de inteligência artificial mais avançados desenvolvidos no país. Segundo reportagens da Fortune e da Reuters, autoridades do Ministério do Comércio da China se reuniram nas últimas semanas com representantes da Alibaba, da ByteDance e da startup Z.ai para discutir o tema.

O que está em discussão

Entre as medidas cogitadas está a limitação da transferência de dados de treinamento de IA para fora do país e a restrição ao download de pesos de modelos por usuários estrangeiros — o que afetaria tanto sistemas proprietários quanto modelos de peso aberto ("open-weight"). As conversas também incluíram a possibilidade de impedir que fabricantes de chips estrangeiros, como a TSMC, produzam processadores avançados baseados em projetos de empresas chinesas como Alibaba, ByteDance e Huawei.

Por que importa

A medida representaria uma guinada na estratégia chinesa, que até aqui apostou na disseminação global de modelos abertos, como os da família Qwen e DeepMind, para ganhar influência e adoção internacional. Restringir esse acesso pode ser interpretado como resposta às crescentes barreiras dos Estados Unidos à exportação de chips avançados para a China, num movimento de retaliação e controle mútuo de tecnologia estratégica.

Contexto

As discussões também incluem a possibilidade de classificar o vazamento ou roubo de propriedade intelectual em IA como violação da lei de segurança nacional chinesa, além de eventuais limites sobre quais investidores podem financiar empresas de IA no país.

O que esperar

As propostas ainda estão em fase de consulta e podem não ser implementadas, ou valer apenas para modelos futuros. Ainda assim, o tema deve pautar as conversas diplomáticas entre Estados Unidos e China sobre IA previstas para setembro, num momento em que os dois países discutem riscos de segurança e economia ligados a modelos de fronteira.